quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Coisas do dia-a-dia (1) by Lu

É muito estranho (na verdade eu acho muito engraçado) você viver em um lugar onde não é falada sua língua materna. Há situações em que você quer dizer alguma coisa, mas não consegue, pois você não sabe falar o que quer. E agora eu descobri como me sinto em relação a isso: Eu sou como uma criança. Sabe quando a criança está aprendendo a falar? Pois é exatamente assim que me sinto.

Às vezes, acontece alguma coisa inesperada, tipo ontem indo para o jogo do Lyon. Um senhor esbarrou em mim e pediu desculpas. Eu queria dizer: “Não foi nada.” Sabe o que saiu? “Hum, hã, ah, uh,,,”, ou seja, só grunhidos que não significaram absolutamente nada! Mas o cara entendeu. Isso é fantástico! É como quando a gente ouve a criança e não entende nada do que ela falou, mas sabe o que ela quis dizer.

Agora a parte mais divertida é precisar mesmo falar com alguém em francês. Isso tem acontecido muito pouco porque no IARC a gente praticamente só fala em inglês. No nosso grupo quase ninguém fala francês, pois, além de mim e da Su, temos uma alemã, um austríaco, uma eslovaca, uma coreana, uma filipina, e por aí vai. Mas temos um colega que é francês que prometeu que vai nos ensinar o idioma. Semana que vem começaremos as aulas de francês, aqui mesmo no IARC. Mas voltando às minhas aventuras no idioma...

Fui em uma loja de cosméticos, pois eu queria comprar um creme hidratante (aqui o clima é muito seco e com a água “dura” a nossa pele fica mesmo muito mal). Pois bem, entrei na loja e já me perdi na quantidade GIGANTE de marcas e tipos diferentes de cremes que tinha. Então, depois de eu dar uma volta olímpica na loja, vem a vendedora: “Posso ajudar?”. Eu já quis dizer “Tô só olhando” e desistir. Bom, primeiro que eu já não sabia como dizer isso e quase saiu um “ah, hã, hummm”... mas respirei fundo e decidi enfrentar o bicho. Não sei como, mas consegui dizer que queria o tal creme. Saiu algo como “Eu ter pele seca. Eu precisar creme.”. Ufa! Ufa, que nada! A mulher me entendeu e começou a fazer vááárias perguntas, tipo “Qual teu tipo de pele?” “Que marca prefere?”, “Gosta de creme mais ou menos oleoso?”. Ai, ai, ai... me ralei. E responder tudo isso? A índia velha aqui começou a responder no seu parco francês. Mas é bem como a minha professora de francês de POA dizia, eu sou beeem comunicativa. Acho que consegui responder todas as perguntas, pois saí de lá com um creme na sacola e completamente suada de tanto nervoso. E sabem que o creme é bem bom? E tinha um preço legal também. Mas a parte mais engraçada foi quando perguntei sobre a épilation. Eu queria comprar cera, na verdade. Mas a vendedora começou a falar que lá tem um Institut de beauté e que eles fazem épilation. Ok, vamos tentar falar em francês de novo: “Você quer depilar o quê?” Aí eu queria dizer “as pernas” e só vinha jambon na minha cabeça. Jambon é presunto! Mas eu não falei, pois senti que tinha alguma coisa errada. Mostrei as pernas e a mulher: “jambes?”, “Ouiiiii...”. A virilha eu já sabia que era maillot, e a mulher pergunta: “Que tipo?”. Ai, ai... situação perigosa! Penso: Como será cavada em francês? Mas a mulher complementa: “Quer tirar tudo?”, “Oh, nonnnnnn!!!!

Mas eu descobri mesmo que sou como uma criança quando fomos encomendar as placas que devem ficar na caixa do correio e na porta do apartamento. Abre parênteses: Isso é outra coisa que é bem diferente do Brasil. Nos prédios daqui tudo que é seu é identificado com seu nome. Não se usa número de apartamento, o que deixa tudo mais complicado, no meu ponto de vista. Primeiro que quando a gente diz o endereço pra alguém, só identifica o andar do apê. Então a gente precisa colocar nome (prénom) na caixa do correio, quer dizer, na verdade se coloca o sobrenome (nom), colocar o nome na porta do apartamento e colocar o nome no interfone. Pode uma coisa dessas? Aí, cada vez que alguém se muda, tudo tem que ser trocado. Mas, no nosso caso, resolvemos não mudar o nome no interfone. Como é um interfone chique, do tipo que tem os nomes armazenados eletronicamente, tem que pagar pra trocar. Ah, não, né? Custa 20 euros!! Então pra interfonar a gente tem que procurar “Dos Santos”. Que tal? É o nome do dono do apê... Tudo bem porque a Su tem familiares que são Dos Santos, então agora ela assumiu esse lado da família. Fecha parênteses. Bom, achamos uma loja aqui do lado do IARC (ao lado do IARC tem tudo!) que faz as tais placas. Então fomos encomendar: “queremos uma placa para a caixa do correio”. A Su falando em francês. Aí o cara dispara: “Quais as medidas?”, “Qual a cor?”, “Qual o material?”. Vem meu lado criança: quero aprender tudo! Como se fala “prata” em francês? “Silver”? Hahaha... não é. É d’argent. Nem a cor eu sabia falar. Sim, tudo é complicado e vira uma novela. Complicado porque é novidade pra gente. Bom, resumindo a tal novela: tivemos que ir 3 vezes na loja. Depois da primeira ida, peguei as medidas e fomos felizes lá. Aí o cara: “Qual o material”? Respondemos “metal”. E o cara “Que tipo?”. Ai, como assim? Tem vários tipos de metal... e temos que seguir o padrão do prédio. Ok, voltamos pra casa e fiquei bisbilhotando as caixas e portas dos vizinhos. Na 3ª visita conseguimos encomendar as tais placas e aí perguntamos “quanto custa?”. O cara responde: “Oh, a pessoa que faz o orçamento não está, mas fazemos na confiança de que vcs vêm pegar as placas”. OK... Agora quero ver quanto vai sair a brincadeira.

O dia-a-dia também pode ser beeeeeeem diver!

8 comentários:

  1. Huahuahauhauhahuahauhauhauaha Acho que me mijei! :D

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  2. Ehehehhheheee!! pra mim tá eleito o post mais engraçado do blog até o momento! Te puxa aí Su! Bjs

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  3. hahahahhaahahahahahaha!!!
    Demaaaaais, Lu!!!
    Bjos,
    Anna

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  4. Vanessa, nem vou entrar nessa competição, afinal eu gosto de ganhar e com a Lu não tenho chance.

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  5. É que a minha vida é engraçada! Eu só relato o que acontece. Não tenho culpa... Gente, é impressionante como eu me divirto comigo mesma. Hahahahaha... Bjs

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  6. Bah, estou no trabalho e quase não consegui segurar a risada!!!! :D Lu, te vi direitinho falando a parte da depilação!! Muuuuito engraçado!! :D Beijão!

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  7. Lu, sempre me acontece isso também quando estão aqui os estudantes de intercâmbio que vou conhecendo - o balbuciar do bebé de 5 meses. Graças a deus o ser humano ainda consegue regredir à fase da linguagem semi-gestual e, claro, o universal sorriso. Tenho um colega italiano na minha turma agora, e foi difícil explicar o que seria um 'panado' - acabou saindo 'fried meat, kind of'. Acho que quando o prato chegou, não era bem o que ele estava esperando hahahahaha

    Mas está BOM o francês hein titia, eu não conseguiria de maneira nenhuma chegar a alguma conclusão pra pedir um creme específico. O máximo que conseguiria traduzir pra francês seria 'niveâ oui?' ahahahahahahha

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  8. Pois é, Caru, a gente se "vira", né? Seja falando ou fazendo mímicas! Só preciso aprender a falar melhor o inglês para fazer minhas "presentations", pois usar mímicas em um seminário no IARC não vai dar certo. Hahahahaha...

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